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A ONG Transparecy International (TI), com sede em Berlim, publicou o Índice de Percepção da corrupção (IPC), mostrando uma pequena melhora na situação do Brasil. Infelizmente, há informação equivocada sendo enviada na mídia. A posição do Brasil na lista não é o mais importante.
De acordo com a metodologia da TI, o que vale é o Índice revelado. A explicação é simples. A lista montada pela TI não é a mesma todo ano, pelo menos não precisa ser. O material usado pela TI para montar o IPC é oferecido por inúmeras agências de pesquisa no mundo, como o IBGE. Para estar na publicação da TI, um país deve ter sido pesquisado por, pelo menos, três entidades de pesquisa, como o IBGE. Dessa forma, se houver um acrescimo de 10 novos participantes que tenham o IPC melhor do que o Brasil, naturalmente o Brasil cairá na lista. Se o contrário acontecer o Brasil melhorará na lista sem fazer absolutamente nada. O que importa, então? O que se busca é o índice desenvolvido. O IPC-Brasil desse ano é de 3.7. Segundo a TI, 10.0 significa corrupção não percebida e 0.0 significa corrupção percebida em todos os lugares. Na lista publicada nesta semana, a Nova Zelândia tem o melhor IPC (9.4) e a Somália, o pior (1.1), em um grupo de 180 países pesquisados. Em 2006 só havia 163 países na pesquisa. Um IPC de 3.7 revela uma situação de extrema corrupção. O Brasil compartilha o mesmo índice com Colômbia, Peru e Suriname. O que interessa é a curva de crescimento do índice do Brasil. Veja os dados abaixo: 2009 - 3.7 2008 - 3.5 2007 - 3.5 2006 - 3.3 2005 - 3.7 2004 - 3.9 2003 - 3.9 Isso mostra que o Brasil não tem melhorado muito. Na verdade, há uma margem de erro na pesquisa que abrange 3.3 a 3.9. Isso mostra que, o Brasil pode não ter melhorado em absolutamente nada na variação apresentada.Dessa forma, o Brasil levará décadas para melhorar significativamente na lista da TI. O problema é que nem a população brasileira, nem a sua economia, tem décadas para suprotar uma corrupção de 3.7. Em termos práticos, isso significa que é provável que em torno de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) é desviado todo ano. Isso é visto nas mortes nos hospitais, entre outros grandes problemas sociais. O Brasil precisa de um Plano Nacional de Combate à Corrupção, incluindo toda a população para combater esse terrível inimigo. O que se espera é que em ano de eleição, os candidatos à presidência mencionem o problema da corrupção nos seus programas. Será que isso vai acontecer? Da Sala de Imprensa
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